Amo-o de uma forma quando ele está presente. E de outra quando ausente. Sem que uma possa dizer que é mais ou menos intensa do que a outra. Quando ausente, não deita em minha cama. Sua ausência é antes de mais nada a ausência de seu corpo. E o corpo, nem a imaginação recria. Procuro seu rosto no retrato, passeio por sua pele na memória, mas embora possa reviver na lembrança o prazer que ele me dá, é um prazer sem orgasmo. E se por acaso tento contemplar a lembrança com a masturbação, em busca da plenitude vivida juntos, encontro a embriaguez, mas não a alegria. E em vez de diminuir a distância que nos separa, torno sua ausência ainda mais evidente.
Então meu corpo entra em ritmo de espera, e assim como arrumo meu quarto, os livros e os cds, assim também trato do meu corpo como se fosse um objeto fora de mim, que lavo e estendo ao sol e massageio com óleos e perfumo e aliso, para que sobre a cama o receba, tão inaugural quanto os lençóis limpos e passados em que deitaremos.
Todos os dias, quando o desejo orienta meu corpo em sua direção, invento o momento do encontro que nos espera, sabendo que não acontecerá como eu o invento, mas que será enriquecido por todas essas invenções que, como suas mãos quando chegar, me preparam para o prazer.



3 comentários:
Que intenso, Adri!
Amei!
Olá, Adri!
Simplesmente maravilhoso.
Gostei demais......
obrigada queridos, e na pensamento em pdf tem mais, mas daí tem que adquirir, né, ehehe. pra saber mais é só falar com o JP, daqui do pensas.
um bjuuu enooormee!
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