Os Fundos da FLIP

[rodrigociriaco@yahoo.com.br]

Eu fico me perguntando: como é que a apreensão de livros de um poeta da rua numa festa literária não é pauta para a mídia? Não me causa muita surpresa, mas ainda me causa indignação. Uma das marcas do encontro, considerado um dos mais importantes do país, é a presença de poetas e escritores divul-gando seus trabalhos pelas estreitas e tortuosas ruas. Recitais, saraus, rodas de poesia pipocam em vários lugares, quebrando o protocolo das atividades oficiais.

Mas este ano foi diferente. Já não bastasse ter sido ignorada da programação oficial durante as sete edições do evento, a literatura marginal e periférica foi tratada quase como que uma contravenção penal. O tráfico de informação, ou melhor, a venda de livros foi duramente reprimida e censurada por fiscais e seguranças do evento, que tinham uma postura à la BOPE: “Recolhe tudo e guarda”, disse-me o fiscal. Perguntei: “Por quê?”. “Você tem autorização pra vender?”, falou. Eu disse: “Não”. “Então recolhe e guarda, senão nós vamos apreender.” Este foi o meu primeiro diálogo de vários com os homens-da-lei da FLIP "Nem na rua, de mão em mão, não pode?", perguntei. "Não, não pode. Nada”. O que eu estava contrabandeando? Livros.

Assim como dezenas de poetas e escritores de todo o Brasil, estive durante muito tempo aguardando ansi-osamente a chegada da sétima edição da FLIP para isso: trabalhar, divulgar minha obra, vender livros. Não fui para ver as mesas com Chico Buarque, António Lobo Antunes, Gay Talese, entre outros convidados. Não porque não fossem interessantes, assim como a própria cidade, patrimônio histórico da humanidade, mas mais pelo fato de que precisava trabalhar. Acabei de imprimir uma segunda tiragem dos meus livros

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